Sporting 3 - 0 Porto
escrito por Diogo Costa, aspirante a jornalista desportivo de topo mas que se recusa a trabalhar, por exemplo, no "Record".
Publicado em 2 de Março de 2010 | 1 comentário
Que espécie de jornalista desportivo "de topo" seria eu se nunca falasse sobre futebol? Pois bem, hoje decidi deixar aqui a minha visão do jogo Sporting vs FC Porto, que terminou com uma expressiva, deliciosa e inesperada vitória por 3-0 de um dos meus clubes de eleição sobre aquele que mais desejo ver a arder.

Yannick e Veloso não conseguiram esconder o seu regozijo
Falemos então sobre o jogo.
Creio que é unânime a ideia de que Sporting tenha sido um justo vencedor. Pudera, venceu por 3 golos de diferença! Portanto, e passando a uma análise ao que realmente importa, quero salientar os pontos fortes da exibição da turma de Alvalade.
A equipa funcionou bem e viu-se sempre intencionalidade nos seus ataques, conduzidos principalmente para as alas, onde ora surgiam cruzamentos, que admito terem sido quase sempre ineficazes, ora os jogadores flectiam para o centro ou procuravam chegar à linha para assim penetrar na área do adversário, sendo que foi dessa forma que se iniciaram as jogadas que deram os 3 golos. Yannick, Izmailov e Liédson andaram endiabrados neste tipo de acções. O capítulo da posse de bola foi outro em que o Sporting venceu, conseguindo quase sempre, à excepção da segunda metade da primeira parte, manter o Porto longe de criar perigo. As compensações foram sempre feitas com sucesso, e sempre que algum elemento sportinguista falhava na sua missão prontamente surgia outro para remediar os estragos, como vimos por exemplo num lance em que Grimi falhou o corte dentro da área, entregando a bola a Varela, tendo Patrício acabado por fazer muito bem a cobertura e permitido a recuperação do colega.
E se fiz questão de referir que o Sporting tem mérito na vitória que alcançou, não pode deixar de ser dito que este Porto esteve longe da sua máxima força. O início do jogo foi, aliás, desastroso para os pupilos de Jesualdo Ferreira. Inúmeras bolas foram perdidas na saída da equipa para o ataque, e Hélton só não sofreu mais do que um golo nesta fase porque os avançados do Sporting não foram particularmente letais. Mas, verdade seja dita, o Porto acabou por crescer no jogo, e através de Falcao chegou mesmo a assustar por duas vezes os adeptos que se deslocaram ao estádio Alvalade XXI para assistir a este clássico. Houve um lance em que o colombiano se isolou e em que lhe foi assinalado um fora de jogo inexistente, e há quem se queixe também de este último ter sofrido um penalty por empurrão de Abel, embora pela repetição não me pareça que o contacto seja suficiente para provocar a queda de Falcao. Resumindo, estou aqui a querer salientar que o Porto teve um pouco de azar nesta fase do jogo, pois foi na altura em que mais procurou reagir que surgiu o segundo golo do Sporting. A partir daí, a equipa não mais se recompôs, e sofrer o terceiro a abrir a segunda parte foi a gota de água para as aspirações do Dragão.
Passo agora a analisar as prestações individuais.
Não me parece que este tenha sido um jogo de individualidades, mas a ter de destacar o melhor jogador do Sporting eu escolheria Marat Izmailov. O russo raramente falhou um passe e vimo-lo muitas vezes a desenvencilhar-se de adversários de forma soberba. Está a atravessar uma grande fase e é cada vez mais um jogador de equipa. A sua exibição foi coroada com um bom remate para o segundo golo e o único disparate que me lembro de o ter visto fazer foi um chuto para a bancada quase do meio campo.
Yannick Djaló conseguiu através da sua velocidade desconcertar em algumas ocasiões a defesa portista e logrou ainda marcar um golo e ver um remate seu passar a centímetros do poste. A sua exibição fica no entanto manchada por demasiadas perdas de bola infantis na condução de alguns contra-ataques da sua equipa e um estilo de jogo que, para mim, é demasiado individualista.
Daniel Carriço foi o homem forte da defesa verde-e-branca, e conseguiu anular muito bem o temível avançado colombiano Falcao, tirando-lhe o pão da boca em duas ocasiões na primeira parte. Uma das exibições mais sólidas deste jovem central português.
Do lado do Porto destaco os avançados Silvestre Varela, sempre perigosíssimo nas suas acelerações pelos flancos, e Radamel Falcao, o avançado colombiano que, embora tenha andado a salvar consistentemente o actual campeão nacional de fazer uma época desastrosa, não conseguiu desta vez empurrar a sua equipa para a vitória. Mas nunca desistiu dos lances e há que reconhecer-lhe esse mérito.
Por fim, há que assinalar a presença de uma terceira equipa de grande protagonismo: o conjunto de arbitragem liderado por João Ferreira. O juiz teve uma actuação miserável ao longo do encontro, apitando cobardemente faltas perante todo e qualquer contacto entre os jogadores. A dada altura, os atletas aperceberam-se desta situação e começaram a mergulhar mais ainda do que é normal. E como se isto não bastasse, o árbitro mostrou ainda alguma dualidade de critérios na hora de distribuir cartões amarelos. Perdoou o segundo e respectiva expulsão para Bruno Alves, fazendo questão no entanto de se deslocar até ao capitão portista para lhe dar um simples "puxão de orelhas". Enquanto juízes incompetentes como este continuarem a ser apontados para jogos tão importantes, as críticas dirigidas à Comissão de Arbitragem vão continuar a ouvir-se.
E no futuro próximo, o que esperar destas duas equipas?
Para o Sporting, esta vitória significa o confirmar de uma subida de forma e o regresso ao 4º lugar, uma posição lastimável mas que ainda assim dá acesso à Liga Europa. Parece-me absolutamente irrealista falar-se na subida da equipa de Carlos Carvalhal ao terceiro posto, e também não acredito que o clube caia para um lugar pior. As restantes 9 jornadas da Liga servirão então unicamente para determinar se o actual treinador tem qualidade para ficar na frente da equipa no próximo ano.
Este resultado foi, assim sendo, particularmente importante para o Porto, pois a 6 pontos do primeiro classificado, o Benfica, e com 10 jornadas para disputar, das 30 totais, Jesualdo Ferreira não se podia dar ao luxo de perder mais terreno. Agora o clube liderado por Pinto da Costa pode começar a esquecer as suas aspirações de renovar o título nacional e, encontrando-se a 8 pontos dos lugares que dão acesso à milionária Champions League, resta aos adeptos azuis-e-brancos rezar para que Benfica ou Braga tenham um colapso físico e/ou mental nesta recta final da Liga Sagres. E, claro está, o clube fica obrigado a ganhar o maior número possível de pontos nos nove encontros que falta disputar. Não será fácil encontrar a motivação para tal, mas a equipa está ainda na Liga dos Campeões e tem reais hipóteses de vencer dois troféus internos: a Taça de Portugal e a Taça da Liga - sendo que a final desta última será jogada contra o Benfica ainda no decorrer do mês de Março. Aguardo ansiosamente por esse encontro!
Da minha parte é tudo. Até mais!
Matosinhos! escreveu, a 3 de Março de 2010:
como alguém me disse, é tão legítima a aspiração do sporting ao terceiro lugar como a do porto ao primeiro, pois as distâncias que os separam desses objectivos são bastante parecidas.
foi estranhíssimo ver grimi a jogar bem, assim como também me causou surpresa ver a dupla de centrais portista fazer um jogo miserável.


