Alberto João Jardim

escrito por Daniel "o Viking de Bergen" Matos, ilustre especialista em questões de política e de literatura.
Publicado em 11-11-2009 | 2 comentários
Nota da redacção - Este artigo contém alguma linguagem que poderá ser considerada ofensiva para alguns, pese embora o facto de os impropérios surgirem apenas em citações e não nas palavras do nosso colunista.
Caros leitores, é com enorme deleite que me apresento mais uma vez neste ainda jovem espaço de opinião para vos brindar com outro artigo.
Desta feita venho falar-vos de uma personagem conhecida da sociedade portuguesa, polémica e irreverente, que acompanha a História da democracia em Portugal. Sim, é sobre Alberto João Jardim, o presidente do Governo Regional da Madeira, que disserto hoje!

Quem é este político que detém o recorde de vitórias eleitorais no seu currículo, que se mantém no poder desde 1978 e que colocou a Madeira desenvolvida e voltada para o turismo, com um nível médio de vida superior a muitos sítios do continente?
Sim!, hoje vamos vasculhar mais fundo, vamos descobrir quem é este homem que durante o dia é um simples presidente com ideias separatistas mas que, pela calada, coloca a capa preta e sai combatendo a asfixia democrática na ilha e os cubanos. Quais as suas ideias? Que causas defende, no seu íntimo?
Senhoras e senhores, este é…
O LADO OBSCURO DE ALBERTO
Falando neste Verão de 2009 sobre o actual Primeiro-Ministro José Sócrates, com o qual diverge ideologicamente com frequência, Alberto João alegou, num discurso, que “a única coisa programática que apresentou até agora foi o casamento homossexual”. Jardim acrescentou não ter nada contra as opções sexuais de cada um, deixando transparecer uma sensação de respeito pelos visados, depressa corrigida: “mas tenho respeito pelos valores da Pátria portuguesa e isto [o casamento homossexual] não é o meu Portugal!”. Daqui fica a nota de que os gays, anti-patriotas de nascença, não pertencem ao país do líder insular, onde só existem machos à antiga, de bigode barriga grande.
Sabe-se também da constante guerra travada por Alberto contra o banditismo continental que assola frequentemente a ilha. Foram várias as denúncias dos lobbies que mandam actualmente em Lisboa: o “lobby da comunicação social, o lobby gay e o lobby da droga”, responsáveis por muito do que de mal se passa no país. O Presidente completou esta afirmação noutra altura, em que afirma que “embora eles [do continente] sejam antifascistas sem nunca terem pegado numa espingarda, foi o povo da Madeira e não aqueles maricas que fizeram a revolução contra Salazar por 29 dias [numa revolta militar em 1931]”. Terminando a sua dissertação opinativa sobre o assunto, conclui: “Há aqui uns bastardos na comunicação social do continente... eu digo bastardos para não ter que lhes chamar ‘filhos da puta’..."
Uma terceira vertente faz menção às noções de economia e xenofobia que este auto-intitulado revolucionário teceu certa vez: “Portugal já está sujeito à concorrência de países de fora da Europa. Os chineses estão a entrar por aí adentro, os indianos a entrar por aí adentro e os países de leste a fazer concorrência a Portugal. Está-me a fazer sinal porquê? Estão chineses aqui, é? É mesmo bom para eles ouvirem. É bom porque eu não os quero aqui.” Estes arqui-inimigos fidagais têm espalhado o terror pelas avenidas do Funchal com as suas bugigangas e preços baixos e não são vistos com bons olhos pelo misterioso justiceiro mascarado.

As declarações estonteantes acima transcritas deixam à vista todo o glamour que esta figura transborda, mas todo o super-herói tem os seus momentos menos felizes e de menor requinte, sempre despoletados por forças exteriores. Disso são exemplo as frases “fui acusado de tanta coisa que já me foderam a campanha eleitoral” ou o conselho que atirou no XII Congresso Regional do PSD, onde sugeriu que se deixasse “os espíritos que se auto masturbam ” nas suas confabulações.
Como figura política relevante que é desde há mais de trinta anos no panorama nacional, Jardim não descura a sua versatilidade e mostra que consegue falar de qualquer tipo de tema, bem assente num comentário sobre um jogo de futebol do clube do seu coração, onde afirma com sapiência que “a derrota em Faro em que o Marítimo teve o pássaro na mão e deixou foder, ups, fugir…”, ou até mesmo no pequeno exibicionismo que fez do seu inglês em certa altura onde, ao falar de certos jornalistas, lançou um bem mastigado “fuck them!”, bem ao jeito do seu conterrâneo Joe Berardo.
De Alberto João Jardim pode-se ainda dizer que conseguiu o honroso 52º lugar na votação do programa da RTP "Os Grandes Portugueses", na qual os portugueses elegeram as maiores figuras nacionais de sempre, e citar uma última frase sua onde afirma, bem ao estilo de Luís XIV no auge do absolutismo, “l'État c'est moi” – o Estado sou eu.
Paulo Costa escreveu, a 11-11-2009:
Com a devida vénia ao ilustre articulista: é indiscutivelmente verdade que AJJ representa a negação dos princípios de tolerância, contenção e respeito pela opinião alheia que constituem a essência da governação civilizada. O seu estilo é carroceiro (sem desrespeito pela nobre classe dos carroceiros), as suas acções frequentemente de duvidosa legalidade, as suas palavras dignas de um blog da extrema esquerda. AJJ suporta e alimenta uma corte que, em troca de bajulação permanente e incondicional face ao chefe, recebe toda a espécie de favores sem nenhuma relação visível com o seu valor ou a sua utilidade como pessoas e governantes. As vozes discordantes são abafadas, os mecanismos de controle ignorados, os gastos são opacos e por aí fora. Mas nada disto é novo, tudo isto é conhecido há muito tempo. Verdadeiramente interessante e inovador seria a história detalhada, com nomes, números e factos, de como este descalabro aconteceu e quem foram as pessoas em lugares de responsabilidade, dentro e fora da Madeira, que podiam ter feito alguma coisa e nunca fizeram nada. Há muitos cúmplices destes e de todos os partidos, da esquerda à direita. Esta fraqueza moral é muito mais insidiosa e perigosa do que a actuação de AJJ, por criticável que esta seja e é, como tão bem descreve o insigne autor do artigo.
Pierre la Coste - o barão das desertas escreveu, a 11-11-2009:
Cambada de maricas - se calhar preferem o arrogantezinho do Bloco, não? os meninos não podem ouvir uns palavrõezinhos de vez em quando, hmmm??? são muito sensiveis, não é??? coitadinhos - e se calhar falam de futebol com muita elevação, tipo "o Sr Paulo Bento está desfocado - necessita de se enquadrar melhor e de ser um tudo nada menos iniquo com certos atletas"!!!
AJJ representa a verdadeira essencia do TUGA!
Viva AJJ, Viva a anarquia!!! Viva o Sporting!!!

