O Futebol e o Tango

escrito por Daniel "o Viking de Bergen" Matos, ilustre especialista em questões de política e de literatura.
Publicado em 09-12-2009 | 1 comentário
Aconteceu há uns tempos estar distraído a assistir pela televisão a um desafio da selecção nacional de futebol da Argentina. O jogo estava meio parado e então dei por mim a atentar em pequenos pormenores como as meias dos jogadores, os placards publicitários ou o cabelo do Aimar, quando reparei num facto curioso.
Contando os onze jogadores em campo e deitando um olho ao banco de suplentes, apercebi-me de que toda a equipa argentina era composta por homens claros como luz, sem a mais pequena ponta de mescla. Num continente como o americano, tão marcado desde o seu achamento pela cultura do esclavagismo e pelo tráfico de negros, como seria possível que na equipa argentina não se contasse sequer um mulatinho, algum descuidado que tivesse apanhado sol a mais? Sabendo que o país foi fortemente colonizado e trabalhado por mão-de-obra vinda de África e que em Buenos Aires a proporção de afro-descendentes já foi de três em cada dez habitantes, desconfiei que algo estivesse errado. Pensei, pensei, e fui dormir.
Só uns tempos depois me entreguei ao trabalho de investigação e dei de caras com uns dados que me despertaram a atenção. Em censos realizados no velhinho ano de 1778, 30% da população era de origem africana, valor que se manteve em 1810 mas que caiu para 2% em 1887. “Ui!”, exclamei, e tirei as minhas próprias conclusões: ou a negritude acumulou fortuna naqueles anos de lavor e zarpou para terras mais quentes ou seguiu a via eclesiástica e dedicou-se ao celibato. Assim, sem espinhas. Ponderei ainda a hipótese de terem todos emigrado para o Brasil, onde o samba suplantava a pouca queda para o tango que esta gente tinha.
A explicação, vim a saber, não passava por aí. Entre casamentos mistos que iam clareando a pele dos filhos, a principal razão que tornou Buenos Aires a capital mais europeia de toda a América Latina foi o extermínio. Pois é, longe das minhas previsões.
Parece que a Argentina andou metida com todo o tipo de gente em grossas pancadarias durante o século XIX, num belicismo que açambarcou Espanha, Inglaterra, França, Paraguai e ainda arranjou espaço para conflitos internos. Nestes entreténs, quem se lixava era o preto, que era posto nas linhas da frente dos exércitos e muitas vezes servido de isco para que o inimigo gastasse as balas de canhão. Uma estratégia que pecava por falta de eficácia, tendo por isso sido levadas a cabo outras manobras no mínimo originais, como numa batalha em que é utilizado um batalhão de dois mil negrões desarmados para atacar um acampamento espanhol durante a noite, ideia essa considerada genial pela associação da negritude com as lendas demoníacas correntes entre os espanhóis na época.
Mesmo a jeito apareceu a epidemia de Febre-amarela que arrasou os bairros da capital para onde os negros que sobravam eram transferidos, veja-se a bondade, de graça!
Num país onde se falava abertamente na construção de uma Argentina branca, pior para a selecção de futebol, que vê o seu maior rival, o Brasil, ter em mulatos e escurinhos os seus melhores jogadores.
daniboy escreveu, a 9-12-2009:
O que Hitler fez com os judeus foi uma "carícia" perto do que os argentinos faziam com seus escravos. Cabróns!

