Que futuro?

escrito por Daniel "o Viking de Bergen" Matos, ilustre especialista em questões de política e de literatura.
Publicado em 29-10-2009 | 0 comentários
Quando a Terra se formou, há 4600 milhões de anos, enormes quantidades de vapor de água foram libertadas dos vulcões e da superfície do planeta incandescente.
Alguns milhões de anos mais tarde, assim que a temperatura da superfície do planeta baixou, deu-se a condensação deste vapor. Choveu durante milhares de anos. Formou-se, então, toda a água existente actualmente.
Se a água não era um problema nesta altura passou a sê-lo nos tempos que correm. O consumo desenfreado originado pela industrialização humana transformou o mundo como o conhecemos, alterou-lhe o clima e contaminou-lhe as águas.
Apenas no século XX o nível dos oceanos subiu 20 cms. Em apenas trinta anos a massa de gelo do Pólo Norte já regrediu em 20% e prevê-se que nos próximos trinta desapareça completamente nos meses de Verão. Se o gelo da Gronelândia derretesse (está a derreter!) o nível da água subiria seis metros e deixaria debaixo de água países como a Indonésia. Por outro lado, quando as águas subirem “apenas” um metro, as populações das zonas baixas de Nova Iorque ou dos Países Baixos vão precisar de comprar impermeáveis e barbatanas.
A tendência é sempre piorar. O degelo desperdiça água doce para os oceanos, extingue espécies animais. A contaminação das águas provoca doenças, impossibilita a agricultura e agrava a sede nos países mais pobres. Dados da ONU revelam que até 2050 mais de 45% da população mundial não terá acesso à água potável.
O aumento de absorção de dióxido de carbono pelos oceanos está a conduzir a uma acidificação dos mares mais rápida do que o previsto. Águas capazes de corroer substâncias nas conchas de animais marinhos já apareceram décadas antes da previsão dos modelos existentes. As secas estão a destruir culturas por todo o mundo.
Não me interpretem mal, caros leitores. Não sou um pessimista incomensurável, sem fé na espécie humana.
Estima-se que nos próximos anos as guerras não serão mais pela posse de petróleo e sim pela posse dos recursos hídricos. Países ricos em água potável serão alvos fáceis por parte de nações com graves dificuldades de abastecimento.
Iniciativas mundiais como o Protocolo de Quioto ou a vindoura Cimeira de Copenhaga são medidas positivas e demonstram preocupações das nações mundiais em relação ao ambiente. No entanto, urgem-se medidas imediatas, porque o futuro deixou de o ser e já começamos a sofrer as consequências nefastas das acções descontroladas da mão humana.
Seja o primeiro!

