A Noruega é o País Mais Bonito do Mundo

escrito por Daniel "o Viking de Bergen" Matos, ilustre especialista em questões de política e de literatura.
Publicado em 13-10-2009 | 2 comentários
A Aurora Boreal é um fenómeno óptico que ocorre nos céus nocturnos da região do círculo polar árctico e é causado por uma tempestade magnética oriunda de explosões solares. Consiste numa emissão de luzes dançantes, que podem variar entre as cores verde, azul ou vermelho. Durante séculos foi impossível definir a origem de um dos fenómenos mais bonitos da natureza, e no folclore de cada povo foram crescendo as mais diversas explicações para o definir. Uma das crenças que mais me chamou a atenção foi a de que quem vir a aurora boreal viverá o resto da sua vida feliz.
Foi neste ponto que desafiei três amigos numa noite a experimentar a Noruega. Quarenta minutos depois já tínhamos os bilhetes comprados, o rent-a-car avisado e alugado e a viagem marcada para daí a um mês, no pino do Outono.
A ideia era viver no carro, como outros vivem em casas, durante a nossa estadia. Um dos meus maiores receios era que não nos suportássemos num convívio ininterrupto dentro de um cubículo durante uma semana. Essa obscura previsão não se confirmou e a aventura decorreu sem levantamentos de voz. Um levava cenouras, outro rolo de carne, um levava pão e o outro não levava nada. No meio de tudo isto tínhamos comida para três dias; a viagem demorava oito. Fomos buscar o carro a Oslo (longe, bastante longe de onde estávamos) com o objectivo de subir o mais possível, já que a aurora é mais visível quanto mais a Norte se estiver.
O Tipo do Rolo de Carne protagonizou algumas das frases mais ouvidas durante a viagem. “Temos de parar nalgum lado, estou com fome”, “Samús, estou a ver uma coisa amarela no céu! Pode ser a aurora?” ou “quando ponho o nariz dentro da camisola começo a passar mal”.
O Tipo Que Levava Cenouras ganhou-nos um dia de viagem, ao aperceber-se que afinal não tínhamos de voltar para trás daí a umas horas. Também era ele que refilava quando alguém abria um pouco a janela para renovar o ar do carro.
O Tipo Que Não Levava Nada passou metade da viagem a dormir – não me interpretem mal, ele foi uma peça importante na demanda, sobretudo quando nos mandava baixar a música que lhe incomodava o sono.
O Tipo Que Trouxe o Pão era eu. Eu obriguei a malta a visitar uma ilha onde achava que ia ver ursos polares.
Fomos de Oslo para Bergen, de Bergen para Trondheim, passagem por Mo i Rana e meta no arquipélago de Lofoten (o tal que não tem ursos polares), bem cá em cima. Por duas ou três
vezes cada um de nós garantiu estar a passar pela paisagem mais bonita que alguma vez tinha visto: entre parar à noite na berma da estrada para dormir e acordar ao lado de um fiorde estonteante, penetrar num túnel de 25 km, presenciar um pequeno nevão no cimo de uma montanha e da mesma montanha avistar uma pequena aldeia à beira duma baía entre dois rochedos, atravessar o vale dos Trolls com a sua estrada sinuosa e curvas tão perigosas que até lhes foram atribuídos nomes, e as duas cascatas a convergir na base do vale.
Todas as noites olhávamos para o céu escuro, por vezes nublado, em busca de um vislumbre de algo que pudesse ser uma aurora boreal, já que apenas tínhamos uma vaga ideia do que era. A aurora boreal é um fenómeno óptico que ocorre nos céus nocturnos da região do círculo polar árctico. Quem a vir viverá o resto da sua vida feliz. Tenho para mim que quem a procura como nós fizemos alcança a felicidade tão bem como se a tivesse visto. Não tivemos a sorte de a encontrar, mas sinto segurança ao dizer que, naquele carro, todos nós irradiávamos alegria durante toda a viagem. Mesmo passando sete dias sem trocar de roupa.

kleiton escreveu, a 20 de Março de 2010:
nossa essa parada parece uma das minhas alucinações !!! falo meu brother!!!
B.Totmauß AKA Mr.Eule escreveu, a 28 de Outubro de 2009:
Belo relato...
Me imaginei na busca pela aurora...

