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Brutal Legend

Wilmer da Silvaescrito por Wilmer da Silva, um enfant terrible que pretende chocar as bases institucionais do cinema português e cuja opinião é procurada por variadíssimas publicações sobre a matéria.

Publicado em 6 de Março de 2010 | 0 comentários

 

 

 

 

                                                        Brutal Legend. O Metal vive!

 

É verdade, apeteceu-me dar um passeio temporário pela secção de videojogos do Cachimbo da Paz.

Quero falar-vos do jogo que recebi no Natal. Foi um voltar à infância este Natal. Há anos que não recebia um joguinho na data mais consumista do ano. Por se tratar de um jogo do Tim Schafer, foi um duplo voltar à infância, na medida em que eu cresci a jogar as aventuras gráficas que este génio humorista do mundo cibernético criou. Nomeadamente a saga “The Secret of Monkey Island”, a espantosa sequela do clássico Maniac Mansion, Grim Fandango e Full Throttle. Caso gostem de jogos e desconheçam estes títulos, questionem profundamente a vossa devoção aos videojogos! Por outro lado, se ainda não jogaram estes jogos, provavelmente não ultrapassaram nem estão próximos da faixa dos 30 anos, o que é sempre agradável.

Este projecto teve sempre em mente a voz e os maneirismos de Jack Black para o protagonista de nome Eddie Riggs. Nada melhor do que ter um grande humorista e devoto fã de Metal para protagonizar este jogo que homenageia a música e o imaginário deste estilo musical. O artwork bizarro das capas dos primeiros albúns de Metal foi o que inspirou Tim Schaffer na criação deste jogo. As capas e a música mostravam um mundo mediaval cheio de seres míticos e demoníacos que travavam batalhas contra exércitos humanos vestidos de metal pontiagudo e cabedal. Este jogo transporta-nos precisamente para esse mundo e para essas batalhas. O protagonista terá que auxiliar os humanos opromidos a libertarem-se do jugo dos demónios através do poder destrutivo e libertador do Metal. Se ainda não estão entusiasmados é porque nunca pegaram numa guitarra eléctrica ou nunca saltaram para dentro de um mosh pit num concerto!

Brutal Legend - mitologia

 

Jogabilidade: Se gostam em geral de todos os géneros de jogos, esta irá ser uma boa experiência. Brutal Legend tem toques de vários os géneros: acção em 3ª pessoa a la God of War, corridas de carro como Grand Theft Auto, estratégia em tempo real e dedilhar de riffs estilo Guitar Hero. Curiosamente esta salada russa mistura-se muito bem numa poderosa embalagem de puro entretenimento.

O aspecto menos positivo da jogabilidade é a lacuna irónica de não ser possível pôr o Eddie Riggs a saltar. A ironia passa pelo facto de no modo batalha termos a opção colocar o héroi a voar. Não é que seja muito necessário saltar ao longo do jogo, mas é libertador saltar em jogos de 3ª pessoa. Andar aos saltinhos mesmo quando não é preciso já faz parte.

A nível estrutural o jogo apresenta-se com um esquema de pequena sandbox, ou melhor uma sandbox ilusória, na medida em que é um jogo de mundo aberto à exploração com missões principais e secundárias muito lineares já que servem quase sempre a história principal. Cada missão principal liberta 2 ou 3 missões complementares. Das missões secundárias destaco as corridas de veículo como as mais divertidas. Pena que não haja corridas de animais, porque é estupidamente bom gerar a destruição quando andamos a conduzir javalis-motorizados, mamutes-metalizados e outras espécies de bestas imaginárias do mundo do Metal.

 

Multiplayer: O online deste jogo permite-nos jogar com as tropas inimigas que enfrentamos durante a aventura a solo. Existe 3 facções completamente distintas com unidades bastante interessantes. E isto bastaria para o jogo ter um bom modo online. Infelizmente os servers do jogo são péssimos. São lentos a fazer os match-ups entre jogadores. Podemos estar entre 5-10 minutos à espera que os servers alinhem dois jogadores para combate. Isto mata logo a hipótese de combates de equipas, algo que seria muito interessante. Existe a possibilidade de até 4 jogadores lutarem contra 4 jogadores, mas isso é praticamente impossivel de acontecer, o que é pena. O melhor que consegui foi 3 contra 2. Não temos também a hipotese de convidar um amigo online para um combate, o que é um absurdo. Somos obrigados a um match-up com um jogador aleatório e a esperar que os servers se decidam. Não se trata de falta de jogadores, trata-se de atraso técnico.

Brutal Legend - cena de jogo

 

No geral: Brutal Legend vai beber a muitas fontes, mas isso não o impede de ser algo fresco. Nunca jogaram nada assim. A atmosfera do jogo é única, é um mundo que vale a pena explorar até à exaustão. A história não é brilhante, mas é cativante até ao fim. Tem as marcas típicas do autor: diálogos excelentes cheios de humor e carros velozes e com pinta. O modo batalha requer prática, mas é facilmente dominado e em termos de jogabilidade está muito bem construído. A banda sonora é a melhor de sempre num jogo: basicamente são as 100 melhores canções de Metal de sempre, ou pelo menos muitas delas merecem ser consideradas dessa maneira. O jogo tem também uma lista de convidados de luxo da cena Metal. Ozzy Osbourne, Lemmy Kilmister, Lita Ford e Rob Halford deram as suas vozes e personalidades a personagens baseadas neles mesmos.

 

Juízo Final: Brutal Legend é um bom jogo, rico em  pormenores excelentes. Fica a um passo de ser um jogo muito bom devido a falhas injustificavéis. Mesmo assim vale a pena apostar. Obrigatório para qualquer apreciador de boa música.

 

Classificação final: 16/20

 


Fica aqui o trailer do jogo, apresentado por várias estrelas do Rock 'n Roll

 

Comentários

 

E você, leitor assíduo? O que acha desta intervenção de Wilmer da Silva?

 

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